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Seguro viagem para motociclista: o guia sem pegadinha

Por Cláudio Royo, especialista em seguros · Registro SUSEP 222142178 Atualizado em julho de 2026
Resposta curta

O seguro viagem é o único produto que paga o seu hospital, a sua remoção e a sua volta ao Brasil depois de um acidente de moto no exterior — mas muitas apólices excluem condução de motocicleta e você só descobre na hora de usar. Antes de contratar, exija por escrito a cláusula de motociclismo, confirme o limite de cilindrada e contrate entre US$ 60 mil e US$ 150 mil de cobertura médica. E lembre: é individual — o garupa precisa da própria apólice.

Por que a Carta Verde não resolve isso

A Carta Verde é responsabilidade civil: paga o prejuízo de quem você atingir. Acontece que a maioria dos acidentes de viagem de moto não tem terceiro nenhum — é areia na curva da Ruta 40, cascalho na saída de uma balsa, guanaco atravessando ao entardecer, rajada lateral na Patagônia. Nesses casos, a apólice obrigatória não entra em momento algum, e a conta do resgate, do raio-x e da internação chega no seu cartão, em pesos.

Para dimensionar: uma remoção de ambulância por 200 km no interior argentino, uma cirurgia ortopédica e uma semana de internação passam com folga do valor da viagem inteira. E a repatriação sanitária — voltar ao Brasil deitado, com acompanhamento médico — é o item mais caro que existe num acidente grave no exterior. É exatamente esse buraco que o seguro viagem existe para tapar.

A pegadinha: apólice que exclui moto

Aqui mora o problema que derruba motociclista todo ano. Grande parte dos seguros viagem foi desenhada para turista de avião, e trata condução de motocicleta como atividade de risco. O resultado aparece de três formas na letra miúda:

As 6 perguntas para exigir resposta por escrito antes de pagar qualquer plano:

1. Condução de motocicleta está coberta como condutor, não só como passageiro?
2. Existe limite de cilindrada? Qual?
3. A cobertura vale para moto própria, ou só alugada?
4. O trecho dentro do Brasil está incluído, ou a apólice só vale no exterior?
5. Remoção médica e repatriação sanitária estão incluídas, com qual limite?
6. Quais condições anulam a cobertura — capacete, álcool, categoria da CNH?

Quanto contratar

ItemRecomendação
Despesas médicas e hospitalaresUS$ 60 mil a US$ 150 mil
Remoção médica inter-hospitalarincluída, sem sublimite baixo
Repatriação sanitáriaincluída — o item mais caro
Invalidez permanente por acidentepresente na apólice
Translado de corpopresente na apólice

A lógica do valor: queda de moto raramente é ambulatorial. O cenário a precificar é internação com cirurgia numa cidade média argentina ou uruguaia, mais o transporte até lá. Na Patagônia e no norte argentino, a distância até um hospital de porte é o que encarece tudo — por isso remoção e repatriação pesam mais que o teto médico nominal.

O detalhe do trecho brasileiro

Se o seu rolê sai de São Paulo rumo a Ushuaia, são milhares de quilômetros de BR antes da fronteira. Muitos planos só valem fora do país — o que deixa justamente o trecho inicial e final descoberto. Se boa parte da viagem é em solo brasileiro, procure plano com cobertura nacional ou complemente com um seguro de acidentes pessoais.

O garupa: a apólice que sempre esquecem

Seguro viagem é individual. A sua apólice cobre você; o garupa precisa da dele, com a mesma cláusula de motociclismo confirmada. Num casal que divide a moto, isso dobra o custo — e continua sendo a decisão mais barata da viagem perto do que custa um fêmur quebrado em Río Gallegos.

Saia com as duas apólices na mão

Emita a Carta Verde aqui e peça no atendimento a cotação do seguro viagem com cobertura de motociclismo confirmada por escrito. Cotamos os dois juntos.

Começar pela Carta Verde

Checklist final antes de fechar

  1. Cláusula de motociclismo por escrito, sem "verbal do vendedor".
  2. Cilindrada da sua moto dentro do limite da apólice.
  3. US$ 60–150 mil de teto médico, com remoção e repatriação.
  4. Trecho nacional resolvido, no plano ou à parte.
  5. Uma apólice por pessoa — garupa incluído.
  6. Vigência do primeiro ao último dia da viagem, igual à da Carta Verde.
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